Uma coisa que aprendi e, acredito que todos tenhamos que aprender é sobre a neutralidade do bibliotecário. Como estudante de biblioteconomia, que adora catalogação e começa agora a admirar a indexação; percebo uma coisa que há muito tempo aprendi estudando para as provas de Representação Descritiva (Catalogação, como todos conhecem, que é quando representamos fisicamente e/ou descrevemos o documento) foi que no momento em que o bibliotecário executa o seu trabalho ele não pode ter preconceitos, preferências, religião,... ele não deve levar para o seu trabalho suas opiniões, etc.
Sabe, um grande exemplo me vem agora: a grande papisa da Descritiva (como diria prof. Concilia: Salve, Salve!!!) Eliane Serrão Mey nos diz que ao catalogarmos uma obra espírita damos entrada principal para o ESPÍRITO, pois que as pessoas que professam essa religião acreditam nisso. É interessante, pois ela somente reproduz a regra do AACR2 (o Código de Catalogação Anglo-Americano) porém a reproduz categoricamente falando que: “bibliotecários não entram em questões de religião”, ou seja, existe uma regra - basta apenas seguí-la. Na Análise documentária não é assim; Lancaster, que fala em Análise Documentária e Indexação, diz que o bibliotecário é neutro sim, acontece que as diferentes interpretações de conteúdo ocorrem pois que, a indexação é feita com vistas ao usuário ou a instituições específicas. Ora, não existe neutralidade e, embora existam regras e técnicas para o procedimento, não existe isenção de opiniões quando uma coisa é feita com a intenção de recuperar ou refletir um pensamento predominante, seja individual, coletivo ou institucional. Pensar que o bibliotecário é neutro é creditá-lo a mero tecnicista, pois nós acreditamos que ele ponha muito de si nas leituras que faz e nas indexações que produz delas.
Eu indexo para quem?? Para usuários ou comunidades específicas?? Ok, mas isso é real, ou seja eu indexo para o que eles querem ou para o que “EU ACHO” que eles querem??? Ao fazer esta pergunta, e discutindo com meu chefe sobre isso, ele lembrou dos juízes da corte britânica que ao entrar no tribunal portavam perucas como forma de despersonalizá-los, mostrar que ali eles são diferentes, são neutros (ô, palavrinha, hein???). É assim que os bibliotecários deviam ser, deviam colocar suas perucas ao trabalhar em função da informação, em função das pessoas; é preciso refletir como nosso trabalho é feito, o que está por trás dele: ele reflete o momento em que vivemos?? Traz ideologias ou pré-conceitos estabelecidos??? UFA!!! Esta é pra pensar...
6 comentários:
essa é pra se matar de pensar...
Acredito que a indexação neutra não existe, primeiro porque deve refletir os interesses da instituição e do público que a utiliza, segundo porque o indexador tem a sua carga de cultura e costumes que interferem diretamente neste trabalho. E a pergunta que não quer calar: quem resolve o que é politicamente ou ideologicamente correto em relação ao item indexado? E como medir a importância da informação contida neste item, em relação ao que se acredita ser “uma indexação correta e neutra”?. Até onde a liberdade do Bibliotecário permite que ele indexe funk como MPB? E mais importante, quem ou o que o impede de fazer tal indexação? Questões filosóficas e/ou ideológicas, julgamentos de valor, análise do contexto? Como resolver é que são elas...E a peruca? Ela pode ser colocada sim, resta saber se ela se ajusta, se é confortável... e voltamos ao inicio....
Lombadeiros, lombadeiros...
essa é para refletir mesmo hein!!!
Peruca or not peruca??
abraços,
Acredito que devamos sim indexar com vistas aos usuários a quem prestamos nossos serviços, e mesmo que trabalhemos por anos numa mesma instituição é fundamental mantermos contato com os mesmos, que muitas vezes são fonte de melhorias das nossas indexações.
Quando nos enveredamos pela representação do conhecimento, trilhamos um caminho estreito, por isso é importante o uso de normas e códigos em nosso trabalho, para que possamos "falar a mesma língua" e não confundir a cabeça dos nossos usuários.
Aos meus olhos a beleza da nossa profissão está justamente na neutralidade e imparcialidade que devem nortear nossos trabalhos, com o objetivo primeiro a que nos propusemos, que é de garantir o acesso à informação a quem dela necessite.
A propósito, visitem o blog do meu grupo www.tipstoleave.blogspot.com.
Obrigada!
Ola, primeiramaente parabéns pelo blog.
Como Pedagoga enfatizo constantemente aos professores que a EDUCAÇÃO NÃO É NEUTRA e que é necessário pensarmos/refletirmos sobre o conteúdo ensinado aos nossos alunos.
Agora percebi, através da sua opinião, que o trabalho do BIBLIOTECÁRIO tb não é neutro.
Ótima reflexão. Com isso nossa responsabilidade com a informação, bem como, com a educação aumenta mto.
Abç.
Pena que as pessoas não levem essas coisas em consideração a maior parte do tempo, afinal quem é um bibliotecário?? Hoje em dia nos perguntamos até quem é um professor, tal o absurdo desses tempos loucos... Não nos dão a menor importância profissional e social, questão de educação de qualidade e respeito. Ninguém sabe o que significa... educação ruim e desvalorizada, país assim !!!
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