TURMA DA LOMBADA

Blog criado por ex-alunos de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP (na época da criação, nós éramos...), bibliotecários subversivos (ou nem tanto...), para discussão de biblioteconomia geral (e específica), com muita análise documentária, estudo de interpretações de texto, catalogação, visões de mundo, ideologias e outros bichos(vários outros...!!)

OSTAGEM 23/05

Uma coisa que aprendi e, acredito que todos tenhamos que aprender é sobre a neutralidade do bibliotecário. Como estudante de biblioteconomia, que adora catalogação e começa agora a admirar a indexação; percebo uma coisa que há muito tempo aprendi estudando para as provas de Representação Descritiva (Catalogação, como todos conhecem, que é quando representamos fisicamente e/ou descrevemos o documento) foi que no momento em que o bibliotecário executa o seu trabalho ele não pode ter preconceitos, preferências, religião,... ele não deve levar para o seu trabalho suas opiniões, etc.

Sabe, um grande exemplo me vem agora: a grande papisa da Descritiva (como diria prof. Concilia: Salve, Salve!!!) Eliane Serrão Mey nos diz que ao catalogarmos uma obra espírita damos entrada principal para o ESPÍRITO, pois que as pessoas que professam essa religião acreditam nisso. É interessante, pois ela somente reproduz a regra do AACR2 (o Código de Catalogação Anglo-Americano) porém a reproduz categoricamente falando que: “bibliotecários não entram em questões de religião”, ou seja, existe uma regra - basta apenas seguí-la. Na Análise documentária não é assim; Lancaster, que fala em Análise Documentária e Indexação, diz que o bibliotecário é neutro sim, acontece que as diferentes interpretações de conteúdo ocorrem pois que, a indexação é feita com vistas ao usuário ou a instituições específicas. Ora, não existe neutralidade e, embora existam regras e técnicas para o procedimento, não existe isenção de opiniões quando uma coisa é feita com a intenção de recuperar ou refletir um pensamento predominante, seja individual, coletivo ou institucional. Pensar que o bibliotecário é neutro é creditá-lo a mero tecnicista, pois nós acreditamos que ele ponha muito de si nas leituras que faz e nas indexações que produz delas.

Eu indexo para quem?? Para usuários ou comunidades específicas?? Ok, mas isso é real, ou seja eu indexo para o que eles querem ou para o que “EU ACHO” que eles querem??? Ao fazer esta pergunta, e discutindo com meu chefe sobre isso, ele lembrou dos juízes da corte britânica que ao entrar no tribunal portavam perucas como forma de despersonalizá-los, mostrar que ali eles são diferentes, são neutros (ô, palavrinha, hein???). É assim que os bibliotecários deviam ser, deviam colocar suas perucas ao trabalhar em função da informação, em função das pessoas; é preciso refletir como nosso trabalho é feito, o que está por trás dele: ele reflete o momento em que vivemos?? Traz ideologias ou pré-conceitos estabelecidos??? UFA!!! Esta é pra pensar...


6 comentários:

essa é pra se matar de pensar...
Acredito que a indexação neutra não existe, primeiro porque deve refletir os interesses da instituição e do público que a utiliza, segundo porque o indexador tem a sua carga de cultura e costumes que interferem diretamente neste trabalho. E a pergunta que não quer calar: quem resolve o que é politicamente ou ideologicamente correto em relação ao item indexado? E como medir a importância da informação contida neste item, em relação ao que se acredita ser “uma indexação correta e neutra”?. Até onde a liberdade do Bibliotecário permite que ele indexe funk como MPB? E mais importante, quem ou o que o impede de fazer tal indexação? Questões filosóficas e/ou ideológicas, julgamentos de valor, análise do contexto? Como resolver é que são elas...E a peruca? Ela pode ser colocada sim, resta saber se ela se ajusta, se é confortável... e voltamos ao inicio....

Lombadeiros, lombadeiros...
essa é para refletir mesmo hein!!!
Peruca or not peruca??
abraços,

Acredito que devamos sim indexar com vistas aos usuários a quem prestamos nossos serviços, e mesmo que trabalhemos por anos numa mesma instituição é fundamental mantermos contato com os mesmos, que muitas vezes são fonte de melhorias das nossas indexações.
Quando nos enveredamos pela representação do conhecimento, trilhamos um caminho estreito, por isso é importante o uso de normas e códigos em nosso trabalho, para que possamos "falar a mesma língua" e não confundir a cabeça dos nossos usuários.
Aos meus olhos a beleza da nossa profissão está justamente na neutralidade e imparcialidade que devem nortear nossos trabalhos, com o objetivo primeiro a que nos propusemos, que é de garantir o acesso à informação a quem dela necessite.

A propósito, visitem o blog do meu grupo www.tipstoleave.blogspot.com.
Obrigada!

Ola, primeiramaente parabéns pelo blog.
Como Pedagoga enfatizo constantemente aos professores que a EDUCAÇÃO NÃO É NEUTRA e que é necessário pensarmos/refletirmos sobre o conteúdo ensinado aos nossos alunos.
Agora percebi, através da sua opinião, que o trabalho do BIBLIOTECÁRIO tb não é neutro.
Ótima reflexão. Com isso nossa responsabilidade com a informação, bem como, com a educação aumenta mto.
Abç.

Pena que as pessoas não levem essas coisas em consideração a maior parte do tempo, afinal quem é um bibliotecário?? Hoje em dia nos perguntamos até quem é um professor, tal o absurdo desses tempos loucos... Não nos dão a menor importância profissional e social, questão de educação de qualidade e respeito. Ninguém sabe o que significa... educação ruim e desvalorizada, país assim !!!

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